Trauma de face e interconsulta
Trauma de face, infecções e interconsulta hospitalar
Atendo pacientes que sofreram uma pancada no rosto e pacientes internados que precisam da avaliação do Cirurgião e Traumatologista Bucomaxilofacial. Nesta página explico o que observar, como funciona o atendimento e como me acionar com urgência.
Por Dr. Richard Brasil, Cirurgião e Traumatologista Bucomaxilofacial · CRO-GO 13983 Atualizado em
Atendimento de urgência 24 horas
Atendimento de urgência 24 horas
Urgência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, a qualquer hora
- Paciente internado ou em atendimento hospitalar com fratura de face, infecção de origem dentária ou outra condição da face e da boca que precisa da avaliação do Cirurgião e Traumatologista Bucomaxilofacial (interconsulta).
- Pancada no rosto seguida de alteração: assimetria, dor, dificuldade para abrir a boca ou mordida diferente.
Contato exclusivamente pelo WhatsApp, escrevendo URGÊNCIA no início da mensagem. O atendimento de urgência tem condições próprias, informadas no contato.
Sinais que merecem avaliação depois de uma pancada no rosto
Quedas, acidentes de trânsito, esportes e agressões são as causas mais comuns de trauma de face. Nem toda pancada causa fratura, mas alguns sinais indicam que vale a pena ser avaliado logo:
- assimetria do rosto, como uma maçã do rosto mais afundada ou um lado mais inchado;
- dor ao abrir a boca ou dificuldade para abrir;
- mordida diferente: os dentes não encaixam como antes;
- dormência no lábio, no queixo, na bochecha ou no nariz;
- visão dupla ou alteração no movimento dos olhos;
- dentes amolecidos, quebrados ou fora do lugar;
- sangramento pelo nariz ou pela boca que não para.
Importante: perda de consciência, vômitos repetidos, sonolência, falta de ar, sangramento intenso ou suspeita de lesão na coluna exigem pronto-socorro imediatamente. A avaliação do Cirurgião e Traumatologista Bucomaxilofacial vem depois da estabilização no hospital.
Interconsulta hospitalar
Quando um paciente internado ou em atendimento hospitalar descobre uma fratura de face, uma infecção de origem dentária ou outra condição da face e da boca, a equipe que o acompanha (ou a própria família) pode solicitar a avaliação do especialista. Esse é o atendimento que chamamos de interconsulta.
Na prática, funciona assim:
- O paciente, a família ou a equipe envia mensagem pelo WhatsApp com a palavra URGÊNCIA, informando o hospital e a situação.
- Recebem as informações sobre as condições do atendimento de urgência.
- Avalio o paciente, reviso os exames de imagem e converso com a equipe responsável.
- Definimos juntos a conduta: tratamento cirúrgico, tratamento conservador ou acompanhamento.
Se o paciente estiver internado em um hospital onde eu ainda não atuo, organizo o contato com a instituição. O paciente e a família podem escolher o cirurgião de confiança para o atendimento.
Infecções de origem dentária
Uma infecção que começa em um dente pode se espalhar para os espaços do rosto e do pescoço. Sinais de alerta, que exigem atendimento hospitalar imediato:
- inchaço que aumenta rápido;
- febre;
- dificuldade para engolir ou para abrir a boca;
- dificuldade para respirar.
Nesses casos, o tratamento costuma envolver, em conjunto com a equipe médica:
- drenagem cirúrgica;
- remoção da causa dentária;
- antibióticos.
Como é o tratamento das fraturas
Cada fratura é avaliada pela tomografia e pelo exame clínico. Quando é necessário operar, o objetivo é recolocar os ossos na posição correta e fixá-los com placas e parafusos de titânio, restabelecendo a mordida, a abertura da boca e o contorno da face. Sempre que possível, uso acessos por dentro da boca ou em locais que deixam cicatrizes discretas.
O momento da cirurgia depende de:
- estado geral do paciente;
- inchaço;
- outras lesões associadas.
Nem sempre operar no mesmo dia é o melhor. Em outros casos, como fraturas com alteração importante da mordida ou risco para a visão, a prioridade é maior.
Quando operar e quando não operar
Fratura não é sinônimo de cirurgia. Mas também não basta a fratura "não estar desviada" para dispensar a operação: a decisão depende de qual osso quebrou, se a fratura é completa, se há mobilidade entre os fragmentos e de como estão a mordida, a abertura da boca e a visão.
Quando a cirurgia costuma ser necessária, mesmo sem desvio
- Fratura completa da mandíbula, que atravessa o osso, ou com mobilidade entre os fragmentos, mesmo com a mordida aparentemente normal. A força dos músculos da mastigação tende a deslocar os fragmentos ao longo dos dias, e a fixação aumenta a chance de consolidação na posição correta.
- Fratura da órbita com aprisionamento de músculo do olho, mais comum em crianças: é urgência e deve ser operada logo.
Quando o tratamento sem cirurgia pode ser a melhor escolha
Sempre depois do exame clínico e da tomografia, em situações como:
- Mandíbula: fraturas incompletas (comuns em crianças), sem mobilidade e com a mordida preservada, em pacientes que conseguem seguir a dieta e comparecer aos retornos. São casos selecionados.
- Côndilo (a parte da mandíbula que forma a articulação): muitas fraturas altas ou com pouco deslocamento, principalmente em crianças, evoluem bem com tratamento fechado: dieta, exercícios e, quando necessário, elásticos nos dentes. Deslocamento importante, fratura mais baixa e mordida alterada em adultos favorecem a cirurgia.
- Maxila, zigoma (maçã do rosto) e nariz: fraturas sem deslocamento, sem degrau no osso, sem afundamento visível e sem limitação para abrir a boca.
- Órbita: fraturas pequenas, sem visão dupla persistente, sem afundamento do olho e sem aprisionamento muscular. Como o inchaço dos primeiros dias pode imitar esses sinais, uma reavaliação após alguns dias ajuda a decidir.
Não operar não significa não tratar. O acompanhamento inclui dieta adequada, controle da dor, orientações e retornos programados, com novo exame de imagem quando necessário. Se a fratura se mover ou a mordida mudar, a conduta é revista. Explico ao paciente e à equipe o motivo da decisão e o que observar nas semanas seguintes.
Referências científicas desta seção
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- Felding UNA. Blowout fractures: clinic, imaging and applied anatomy of the orbit. Dan Med J. 2018;65(3):B5459.
Prevenção
Grande parte do trauma de face que atendo poderia ter sido evitada com:
- cinto de segurança;
- cadeirinha para crianças;
- capacete na moto e na bicicleta;
- protetor bucal em esportes de contato.
É uma mensagem que repito sempre, porque prefiro que você nunca precise de mim.