Siso e dentes inclusos
Extração de siso e de dentes inclusos
Nem todo siso precisa sair. Mas, quando ele causa dor, inflamação ou prejudica os dentes vizinhos, a extração planejada evita problemas maiores. Aqui explico como decido, como é a cirurgia no consultório e o que esperar depois.
Por Dr. Richard Brasil, Cirurgião e Traumatologista Bucomaxilofacial · CRO-GO 13983 Atualizado em
O que é siso incluso
O siso é o terceiro molar, o último dente de cada lado da arcada. Muitas vezes ele não tem espaço para nascer na posição correta e fica total ou parcialmente preso no osso ou na gengiva: é o dente incluso (ou impactado). O mesmo pode acontecer com outros dentes, como os caninos.
Quando indico a extração
- inflamações repetidas na gengiva ao redor do siso (pericoronarite), com dor, inchaço ou dificuldade para abrir a boca;
- cárie no siso ou no dente vizinho que não pode ser tratada de outra forma;
- perda de osso ou de gengiva no dente da frente por causa da posição do siso;
- cistos ou outras lesões associadas ao dente incluso;
- indicação do ortodontista ou parte do planejamento de uma cirurgia ortognática;
- siso que nasceu, mas não tem função e acumula alimento, sem possibilidade de higiene adequada.
Quando não é preciso extrair
Siso que nasceu na posição correta, tem função e pode ser bem higienizado não precisa ser extraído. Para o siso incluso sem sintomas e sem doença, a principal revisão sistemática sobre o tema concluiu que não há evidência suficiente para recomendar a extração preventiva de rotina, nem para contraindicá-la.
Nesses casos, a decisão é compartilhada com o paciente e leva em conta:
- a posição do dente e a relação com o nervo e com os dentes vizinhos;
- a idade: a cirurgia tende a ser mais simples e a recuperação mais rápida em adultos jovens;
- a possibilidade de acompanhamento com exames periódicos;
- tratamentos futuros, como ortodontia, implantes ou cirurgia ortognática.
Se a escolha for manter o siso, ele deve ser reavaliado periodicamente.
Como avalio
- Exame clínico: gengiva, abertura da boca, mordida e dentes vizinhos.
- Radiografia panorâmica: mostra a posição dos quatro sisos e do osso ao redor.
- Tomografia: pedida quando a raiz do siso parece muito próxima do canal do nervo alveolar inferior, responsável pela sensibilidade do lábio e do queixo. Ela mostra em três dimensões a relação entre os dois e ajuda a planejar a técnica mais segura.
Como é a cirurgia
- Onde: no consultório, em ambiente preparado para cirurgia.
- Anestesia: local e, quando indicado, sedação, para um procedimento mais tranquilo.
- Quantos sisos: podem ser extraídos de uma vez ou em etapas, conforme a posição dos dentes e a preferência do paciente.
- Técnica: quando o dente está preso no osso, ele pode ser dividido em partes para sair com o mínimo de desgaste ósseo. Ao final, a gengiva é suturada.
Recuperação
- Primeiros dias: inchaço e algum desconforto são esperados e controlados com as medicações e os cuidados orientados.
- Alimentação: começa fria e pastosa e evolui aos poucos.
- Higiene: segue orientações específicas para proteger a área operada.
Os prazos são personalizados, porque variam de pessoa para pessoa e conforme a complexidade da extração. Quem opera comigo recebe as orientações detalhadas para o seu caso.
Riscos
Como toda cirurgia, a extração de siso tem riscos, que fazem parte da conversa antes de qualquer decisão:
- Alveolite: inflamação do local da extração, com dor que aumenta alguns dias depois. Tem tratamento.
- Dormência no lábio, no queixo ou na língua: pode ocorrer quando a raiz está muito próxima do nervo. Na maioria das vezes é temporária; raramente pode ser permanente. A tomografia e o planejamento reduzem esse risco.
- Sangramento e infecção: pouco frequentes, controlados com os cuidados e o acompanhamento pós-operatório.
Referência científica desta página
- Ghaeminia H, et al. Surgical removal versus retention for the management of asymptomatic disease-free impacted wisdom teeth. Cochrane Database Syst Rev. 2020;5(5):CD003879. doi:10.1002/14651858.CD003879.pub5